Regredindo há exatamente 10 anos atrás o mundo já se
deliciava com o debut de uma banda que viria a ser uma das mais influentes do
século XXI e porque não ousar em dizer dos próximos anos? O legado que a banda
nova yorkina formada por Julian Casablancas construiu é irreparável,
principalmente para o Indie Rock propriamente dito. Ainda em datas, 2006 foi o
ano escolhido para começar o hiato da banda. Três anos depois, em 2009, quando
recebeu o título de banda mais influente da década de 2000 pela NME, voltaram
aos estúdios para gravar seu 4º álbum de inéditas, o Angles.
Ao conferir esse resultado que veio a ser lançado no ano
presente de 2011, uma pergunta deve ser feita mentalmente: “O que eu espero
ouvir?” Se a resposta for, algo similar aos álbuns anteriores, então, Under
Cover Of Darkness foi feita sob medida. Algo inovador, se for essa a resposta,
caiu dentro do conceito do Angles. É claro o esforço por parte dos integrantes
para fazer algo de inovador, com um ego confortado pelo imenso hype que possuem,
o resultado não podia ser diferente. Um álbum decepcionante.
A tentativa de inovação vem logo na primeira faixa. Machu
Picchu é bem sucedida, longe de ser um expoente do álbum, o balanço reggae
contido na música já nos deixa claro a influência oitentista do álbum. O
primeiro Single da banda, Under Cover Of Darkness foi bem recebido. Não saindo
da zona de conforto, a música nos remete a sonoridade dos álbuns anteriores, o
que faz dela, o grande hit do álbum. Two Kinds Of Happiness passa um pouco
despercebida. O ritmo dos anos 80 se faz presente novamente.
You’re So Right com seu ritmo hipnótico mostra a
influência New Wave do disco, o que faz parecer que ao invés da sonoridade
setentista do primeiro álbum, a banda procura adicionar esse teor oitentista
para o álbum. Taken For A Fool nos da a sensação de que nem tudo está perdido.
Outra faixa que nos remete aos primórdios da banda, soa bem do começo ao fim.
Games é forçada e fora do contexto. Call Me Back estampa agora, influências da
bossa nova. É uma faixa gostosa de ser ouvida, mas nada memorável.
Gratisfaction tem cara de single, no contexto em que está
inserida é triste dizer que é uma das melhores faixas, o que não a faz, uma
ótima música. Metabolism vem acompanhada de boas guitarras, a única coisa
relevante da faixa. Life Is Simple In Moonlight encerra o álbum de forma
agradável. Uma boa faixa de um álbum não tão bom assim. Fato que até os membros
da banda perceberam prometendo um próximo álbum ainda esse ano, sem mencionar a
falta de ânimo da banda ao se apresentar nos gigantes festivais afora.
O The Strokes com o Angles nos mostra mais uma vez como
se reconfortar no hype pode não ser um bom plano. Vimos isso acontecer com o
Suck It And See e agora com o Angles, duas bandas, talvez as que mais desfrutaram
do hype na década passada, juntamente com Coldplay, The Libertines e outras
bandas. O que nos faz martelar em nossas mentes, o hype de uma banda é bom
porque da visibilidade para o talento da banda, mas em contrapartida até onde
isso agrada ao ponto de refletir nos trabalhos?
Qual sua opinião sobre o Angles?


